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30 janeiro 2021

Um novo acordar - Parte II

Vamos à segunda parte dos anos 90.


É um estilo de musica que não surge propriamente nesta década, mas é aí que tem a sua maior expressão.

Falo do Rock Industrial ou Metal Industrial.
Duas bandas à cabeça. Marylin Manson e Rammstein.

Talvez não tenha surgido aqui este género de música, quando se ouve Napalm Death, ainda dos 80, ou Morbid Angel, parecem uma entrada para o Rock Industrial.
A grande diferença das bandas de Death Metal (subgénero do Metal) ou Grindcore (subgénero do Hardcore) é que o Industrial, tem uma fusão com o Glam Rock que já falei anteriormente.
Pelo menos nestas duas bandas.
Além disso, distingue-se por ser um subgénero do rock, com uma sonoridade parecida, com o Metal ou Hardcore, mas com recurso a sintetizadores e bateria electrónica.
Estou a falar no que derivou para os 90. No final dos 80's, havia um grupo, cujo o nome não me lembro, que praticava o Rock Industrial na verdadeira acepção da palavra. Usavam desperdícios industriais adaptados, para substituir os instrumentos.

Mas é o que tem de ser. Já quase nada se inventa, apenas se mistura e se dá um novo nome. Na música e em tudo o resto. Mas como os macacos sem pêlo já cá andam faz muito tempo, pouco há de novo.

Vamos então ver o Marlyn Manson.
Comecemos pelo nome. É a fusão do belo com o horrível. Marilyn Monroe e Charles Manson. De acordo com Brian Warner (vocalista), é uma critica à sociedade americana, que tanto valoriza a beleza como o horror, e permite 'tempo de antena' igual para ambos. A velha curiosidade mórbida que é inflamada por aquelas bandas.
Quanto à música que este grupo produz, sempre que lança um álbum, arrisca-se a ter um disco histórico. (1)
Juntamente com os Metallica, devem ser o grupo mais profissional que eu conheço. Os Metallica a lutar pela indústria musical, tanto que por vezes parecem o sindicato dos músicos. Por seu turno, MM, parece ter um plano de carreira. Cada albúm representa uma fase, e sem deixar de lado a critica, essa fase e correspondentemente o álbum lançado, é sempre à volta de uma tema.
Vamos ver as eras\álbuns:

Portrait of an American Family
Tal como o nome, critica a tudo o que é tradicional na família americana. É uma visão de 'helicóptero' sobre o meio que o rodeia.
Começa com um preludio chamado The Family Trip. É só falado, e diz coisas como...
"There's no earthly way of knowing
Which direction we are going
There's no knowing where we're going
Or which way the wind is blowing"

O segundo álbum, Smells Like Children é de remixes e covers.
Dois dos melhores covers que eu já ouvi na vida estão neste albúm.
Sweet Dreams - Cover dos Euritmics
I Put a Spell on You – Cover dos Screamin' Jay Hawkins 

Depois vem um dos discos mais marcantes de sempre.
Antichrist Superstar
Critica à religião e aos fundamentos do cristianismo. Foi obviamente mal acolhido na sociedade americana.
Dentro deste profissionalismo e organização de carreira, chega ao cumulo de estruturar este álbum por ciclos.
Ciclo I - O Hierofante
1."Irresponsible Hate Anthem"
2."The Beautiful People"
3."Dried Up, Tied and Dead to the World"
4."Tourniquet"
Ciclo II - A Inauguração do Verme
5."Little Horn"
6."Cryptorchid"
7."Deformography"
8."Wormboy"
9."Mister Superstar"
10."Angel with the Scabbed Wings"
11."Kinderfeld"
Ciclo III - A Ascensão do Desintegrador
12."Antichrist Superstar"
13."1996"
14."Minute of Decay"
15."The Reflecting God"
16."Man That You Fear"
17."Track 99"

Foi também por causa deste disco que começou por ser apelidado de Anticristo.

Ora, o mais curioso é que foi por causa de uma musica (1996) em que ele apelida todos os preconceitos e discriminatórios de 'Antichrist Superstar'.
Ou como ele diz, depois de dar vários exemplos de anti-isto e anti-aquilo (que não deixa de ser anti-pessoas),
"Anti pessoas, agora foram longe demais
Eis o que é o vosso anticristo Superstar"
("Anti-people now you've gone too far
 Here's your Antichrist Superstar")

Engraçado ainda (ou talvez não devido à organização excessiva do disco) é que a música anterior (Antichrist Superstar),  parece apresentar esta (1996). Parece falar da decadência do cristianismo na sociedade e que o anticristo está cada vez mais perto, não sendo uma pessoa mas uma maneira colectiva de estar na vida.
A não perder https://pt.wikipedia.org/wiki/Antichrist_Superstar
O melhor resumo que já vi deste álbum. Infelizmente, não conheço Nietzsche ao ponto de entender o disco na sua totalidade, até porque Nietzsche, é só outro macaco....

É claro que vendo um gajo feio, com musicas provocatórias que obrigam a pensar, e ainda por cima tem uma musica que fala em anticristo...
Estão reunidas todas as condições:
-"aiiii que ele é o anticristo"
-"que coisa horrível"
-"ele fura os olhos das pessoas e come as nossas criancinhas" (isto já sou eu a exagerar)

Mas o que é certo, é que quando ele começou a ser conhecido e era tema de conversa,
e eu dizia que gostava da música dele, a resposta mais frequente era "mas ele é tão feio"
...
...eu disse a musica...
...
...não disse que gostava dele...

O que é certo é que as pessoas (na sua maioria) tem de se identificar ou sonhar ser como quem canta. Se não, a música não presta, o gajo não sabe cantar, etc, etc, etc...
A Pop tem o velho truque do markting. Mostrar uma imagem ideal para fazer os adolescentes a querem ser assim.




 (1) Os albúns históricos são aqueles que, todas as músicas, podem servir de apresentação do disco.
Eis os 10 primeiros segundo o Blitz:
10. Oasis - Definitely Maybe (1994)
09. The Beatles - The Beatles (1968)
08. Pixies - Doolittle (1989)
07. The Stone Roses - The Stone Roses (1989)
06. Pulp - Different Class (1995)
05. The Velvet Underground - The Velvet Underground & Nico (1967)
04. The Strokes - Is This It (2001)
03. David Bowie - Hunky Dory (1971)
02. The Beatles - Revolver (1966)
01. The Smiths - The Queen Is Dead (1986)
Estes são 10 de uma lista de 500.
Claro que esta é uma opinião, eu incluiria, com certeza, todos os albúns dos Smiths, do David Bowie, dos Radiohead, Talking Heads, Nirvana, Soundgarden, Marilyn Manson, The Who (só lembrando alguns) numa lista de 500.
Também não deixaria de fora alguns momentos muito bons de algumas bandas.
The Sisters of Mercy - Vision Thing
QOTSA - Queens Of The Stone Age Songs For The Deaf
Sex Pistols - Never Mind The Bollocks
The Jesus And Mary Chain - Psychocandy
The Cramps - Songs the Lord Taught Us
The Cramps - Psychedelic Jungle
The Cramps - A Date with Elvis
The Cramps - Bad music for bad people
Mettalica - Mettalica
Mettalica - Load
Guns N' Roses - Appetite For Destruction
Guns N' Roses - Use your illusion I
Guns N' Roses - Use your illusion II
Linkin Park - Hybrid Teory
Ornatos Violeta - O monstro precisa de amigos
De certeza que a memória me está a atraiçoar e deixei alguns de fora, mas também era só para ter a minha opinião aqui escrita.

     
    
    








25 fevereiro 2018

Um novo acordar - Parte I

Geralmente o som que nos marca, são as musicas que ouviamos na adolescencia. As preocupações são poucas, os interesses são mais sociais, e para a devida integração ouvimos a mesma musica da tribo que queremos pertencer. A musica parece um elemento importante nessa altura. Por varios motivos. Ou para um escape, ou para nos integrarmos, outra vezes para impressionar, mas na maior parte das vezes, porque a predisposição está lá. Somos mais alegres e descontraidos e a musica... apetece.
Mais tarde, quando somos mais velhos, e ouvimos 'aquela musica', vem a nostalgia. Ou então os casais que tem 'a sua musica'... que lindo....
No meu caso foi diferente. A musica que apareceu nesta decada, pareceu-me mais 'correcta'. Muito mais de acordo com o meu gosto musical.
Claro que os Smiths, Birthday Party, os Cramps, Sex Pistols, os Dead Kennedys, Sisters of Mercy (só para falar dos principas grupos de cada tendencia) foram certamente marcantes, mas das quatro musicas que me surpreenderam quando as ouvi pela primeira vez, três delas são dos 90.
Esta foi a ultima década do Rock. A partir daqui são só pipocas que rebentam depois de desligar o lume.

Vamos à parte mais importante.
O Grunge.
Seatle é uma cidade maioritáriamente industrial e de céu coberto de nuvens. Dá ao local um ambiente triste e sombrio. Esse ambiente é, claramente, transportado para este tipo de música. Não deixa de ser um pouco o que aconteceu em Inglaterra nos 70 com o Punk. O mesmo tipo de ambiente social e envolvente atmosférica. No entando a grande diferença entre a sociedade média-baixa da Inglaterra da altura, é que era bastante constetatária em relação à situação socio-economica. Em Seatle, isso não acontecia. Essa classe economica tinha outros meios de subsistencia e por isso mais acomodada. Esse motivo fez com que a diferença entre o Punk e o Grunge, se reflectisse nas letras das música. Se os Punks queriam revoluções, já no Grunge, a poesia centra-se nas experiencias pessoais, normalmente traumatizantes e angustiantes.
Além desta principal diferença, são muitas as semelhanças com o Punk. No entanto, a qualidade musical do Grunge está muitos furos acima do Punk.
Surgiram vários grupos, sensivelmente ao mesmo tempo. Dois deles destacaram-se de imediato.
Nirvana e Pearl Jam. Um pouco mais abaixo nos niveis de popularidade, surgiram os Alice in Chains.
Algum tempo mais tarde surgiria, Soundgarden pela mão do grande Chris Cornell.
Primeiro vamos à segunda música marcante na minha vida. Come As You Are dos Nirvana.
Esta foi só a primeira. Porque muitas foram as boas músicas, deste grupo, que ouvi durante anos e continuo a ouvir. Vamos a algumas que não se podem deixar de não ouvir:

Smells Like Teen Spirit
Heart-Shaped Box
Lithium (há qualquer coisa de inebriante nesta musica...)
You Know You're Right
In Bloom - E aqui se começa a ver o potemcial do Dave Grohl
Dumb - É demasiado recorrente a vezes que canto, na minha cabeça, a primeira frase desta musica...
Rape Me
Todas estas, e a maior parte das suas musica, começam decadentes e acabam em fúria e raiva. Mostra quão foram reprimido e contidos na adolescência.
Um momento a não perder dos Nirvana, é a sua actuação unplugged na MTV. Embora sejas as mesmas musicas, mas num registo diferente, estão simplesmente geniais. Em algumas delas, o violencelo assentou que nem uma luva.
Em poucas palavras: Ouvir tudo que seja Nirvana. Demasiado bom para perder.
Nos 90 o som deles foi extremamente refrescante. Quando tudo parecia esmorecer, eis que me deram um novo motivo para ouvir musica.
Depois da morte de Kurt Cobain, o baterista Dave Grohl, formou os Foo Fighters. Uma banda também a ter em conta dentro deste género musical.

A outra banda que surgui ao mesmo tempo dos Nirvana, foram os Pearl Jam.
Igualmente letras baseadas em experiencias pessoais, mais ou menos, traumáticas, destacaria que que lhes deu notoriedade. Jeremy. A letra tem uma forma muito peculiar de relatar as experiencias de um jovem rejeitado pelos pais e o que isso afecta a sua personalidade. O refrão, diz 'Jeremy spoke in class today', parecendo ser isso, o evento digno de registo. Uma forma de realçar a invisibilidade que provoca a má educação dos pais. Ou neste caso, a falta dela.
Outras musica muito boas:
Alive - Num concerto apareceu, certa vez, um cartaz de um fã a dizer 'Alive save my life'.
Evolution - A mostrar o lado ecoligista da banda
I Am Mine
Better Man - Outra musica emblemática da banda
Daughter - Outra...
Last Kiss
Even Flow
Animal - Parte desta musica era o meu toque de telemóvel quando estava em França.
O refrão diz 'I'd rather be, I'd rather be, I'd rather be an animal.'
Num concerto em Lisboa ele cantou 'I'd rather be, I'd rather be, I'd rather be in Portugal.' - AMEI!!!
(ver a partir do 1:40 deste video)

A letras deste grupo variam entre as experiencia pessoais, a ecologia e os situações sociais recorrente e decadentes. Foram abrandando ao longo da carreira. Ficaram nostalgicos e lamechas. Começaram a perder o interesse. No entanto a voz é muito boa e peculiar.

O treceiro grupo que surgiu ao mesmo tempo e na mesma cidade, foram os Alice in Chains.
Mais teatrais, mais virados para a imagem, menos expontáneos e parecem sempre seguir uma regra para fazer musica. Dispenso.

E se angustia é o tema recorrente no Grunge, claro que isso é levado a outro nivél quando falamos de Chris Cornell.
Começou com Soundgarden, depois Audioslave e terminou a carreira a solo. Fez uma musica para a banda sonora do 007.
Então vamos lá à excelêcia (as três fases):
Soundgarden:
Black Hole Sun - Posso ouvir isto 10x por dia. Não cansa.
Jesus Christ Pose - Não aconselhavél a quem é regido por dogmas.... e mais não digo....
Fell On Black Days
Spoonman
Burden In My Hand
The Day I Tried To Live
Outshined
Pretty Noose
My Wave
Blow Up The Outside World
Audioslave:
Like a Stone
Be Yourself
Cochise
Original Fire
Show Me How to Live
Doesn't Remind Me
Your Time Has Come
Chris Cornell
Nearly Forgot My Broken Heart
Can't Change Me
Seasons
You Know My Name - Bond. James Bond

Chris Cornell suicidou-se com 52 anos. Mais de meio século é realmente demais. E ouvindo as letras das suas músicas, não parece descabido este desfecho, mas claro, é muito fácil fazer 'projecções' depois das coisas acontecerem.
Porque é que eu gosto tanto de Chris Cornell. É o estilo de música, a guitarra (mais na fase Soundgarden), a voz é fantastica. Mas além disso tudo, parece que ele faz musicas para mim. Mais de 90% das musicas dele, eu penso 'Devia ter sido eu a escrever isto.'. Claro que os 90% é só para demonstrar que são mesmo muitas. Nunca fiz realmente as contas.... nem vou fazer.

Há ainda os Stone Temple Pilots. Um registo mais hard. Boa musica mas parece que faz mal à saude ser vocalista. Tiveram um periodo de interregneo porque o primeiro vocalista saiu para fazer parte dos Velvet Revolver (Guns and Roses sem o Axel). Quando regressou... morreu. Aí o grupo resolveu continuar com o ex-vocalista dos Linkin Park. E esse também... morreu. Parece-me que agora anda à procura do Donald Trump para ver se ele quer cantar na banda....
Vamos a algumas musicas.
Plush
Creep
Interstate Love Song
Wicked Garden
Big Empty


E para terminar o Grunge, vamos à resposta inglesa. Se no Punk, os EUA responderam com os Ramones, no Grunge o UK respondeu com os Bush.
E não foi nada mau. Vamos directos à musica porque sei pouco ou nada deles. Apenas que gosto de tudo o que fazem.
Swallowed
Glycerine
The Chemicals Between Us
Comedown
Machinehead
Greedy Fly - Talvez a minha preferida. Não arredava pé da tv sempre que este video passava. É bom de tão nojento que é. A cena de matar um anjo à porrada está mesmo fora-da-caixa.
Little Things
Everything Zen


E assim termina a primeira parte dos 90's. A musica é como os carros. Classicos nos 60 com muito estilo. Muita cratividade nos 70, os 80 são de fugir, nos 90 parece que está a voltar o bom gosto, e depois disso... coisas electricas??? e o som??? e na musica, coisas electronicas??? e o som???
Para ambos os casos, musica e carros, o bom bom gosto andou de mao dada nas várias décadas, até que se começaram a fazer coisas segundo padroes. Eu gosto de padroes porque gosto de matemática, mas não é na musica nem nos carros.


Antes de saltar para a parte II, vou referir um grupo. Começou nos 80, é mais Indie do que outra coisa qualquer, mas tem uma das tais musicas que não me faz esquecer o momento. Estava a entrar num bar, isto nos inicios do 90, ouvi uma gitarrada que me pos as pernas bambas e fiquei parado à espera que ela voltasse. E voltou. É o momento antes do refrão da musica Creep do Radiohead. No epilogo da musica, a guitarra grita tanto e tão bem que só apetece ouvir outra vez.


 

Um novo acordar - Parte II

Vamos à segunda parte dos anos 90. É um estilo de musica que não surge propriamente nesta década, mas é aí que tem a sua maior expressão....